Senadores dos EUA querem acelerar visto para brasileiro

02/12/2011

Gasto crescente dos turistas é o alvo; outro grupo propõe eliminar exigência

Número de funcionários nos consulados que realizam as entrevistas subirá de 49 para 100 em 2012 no Brasil 

LUCIANA COELHO
DE WASHINGTON

 

De olho nos crescentes gastos dos turistas brasileiros e chineses, dois projetos no Senado americano visam transformar em lei uma promessa repetida pelo Departamento de Estado: acelerar o processo para a concessão de vistos nos dois países.

Uma coalizão com a Câmara do Comércio dos EUA, a Confederação Nacional das Indústrias no Brasil, a Federação de Varejistas dos EUA e a Associação de Viagens dos EUA (lobby da indústria turística), no entanto, acha pouco e quer que os brasileiros sejam eximidos do visto.

O grupo defende o assunto na pauta da reunião entre os presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff quando ela vier a Washington, provavelmente em março.

No ano fiscal encerrado em outubro, foram concedidos 820 mil vistos a brasileiros, salto de 44% sobre 2010. Para a China, foi 1 milhão, alta de 33%. A meta anunciada para 2013 é mais do que duplicar esse total, chegando a 1,8 milhão no Brasil e 2,2 milhões na China.

Para isso, o número de funcionários consulares americanos encarregados das entrevistas com os solicitantes subirá, no Brasil, de 49 para 100 no próximo ano, o que deve reduzir o tempo de espera por um horário.

Em teste feito nesta semana, quem agendava entrevista em São Paulo e Recife teria de esperar 69 dias (no Rio e em Brasília, menos de uma semana). Na alta temporada, no primeiro semestre, a espera supera 140 dias.

"Os brasileiros trazem uma renda enorme para o turismo do país", diz Diego Bonomo, diretor-sênior na Câmara de Comércio dos EUA. "Além disso, haveria uma facilitação para os negócios -como o sistema é recíproco, o visto cairia também para americanos entrando no Brasil."

TAXA FURA-FILA

O principal dos projetos é o Visit US Act (Lei Visite os EUA), o mesmo que propõe vistos de residência automáticos a estrangeiros que gastem US$ 500 mil (R$ 905 mil) em imóveis no país.

O plano tem uma cláusula para acelerar vistos para brasileiros, chineses e indianos e outra para estender a validade do documento chinês de um para cinco anos.

São propostas também entrevistas por videoconferência e a criação de postos móveis. Nesse sentido, a lei se coloca à frente do Departamento de Estado, que não pretende expandir o sistema.

"Do ponto de vista da segurança, também há preocupações [com entrevistas por videoconferência]. Não se substitui a experiência do entrevistador de ter o solicitante na sua frente e poder avaliar a situação real", disse em teleconferência Don Jacobson, que supervisiona o setor de vistos na Embaixada dos EUA em Brasília.

O projeto, bipartidário, também prevê a criação de uma "taxa de prioridade" -quem pagá-la seria passado para a frente da fila.

O turismo estrangeiro, segundo o Departamento de Comércio, mantém 1,1 milhão de empregos nos EUA e produziu uma receita de US$ 134 bilhões em 2010.


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